18 de Março de 2010

O que alguém não espera encontrar quando sai do trabalho depois de um dia cansativo

Ora já não bastava ter posto os tubinhos de PCR num bloco e ter programado a corrida noutro, tinha de sair do trabalho e dar de caras com um jogo do Sporting.
Para quem não sabe, em dias em que há jogo do Sporting ponho o pézinho fora do instituto e tenho, ali mesmo, nos degraus da portaria principal, com o Sr. Dr. Ricardo Jorge a observar, arrumadores de carros e cuspirem-se e a insultarem-se e sei lá mais o quê, enquanto partilham amigavelmente o espaço com os senhores da PSP que orientam o trânsito... grandes amigos. Este é um cenário normal em dia de jogo do Sporting em Alvalade. Ora o que eu não sabia, é que hoje era um jogo especial. E comecei a perceber tal facto quando, em vez de dois arrumadores de carros, vislumbrei uns cinco só dentro do parque de estacionamento do instituto. Assim que fiz a curva, lá estavam a cavalaria. Não sei quantos eram, mas à vontade umas centenas de agentes da PSP armados até aos dentes, que brincavam (literalmente) com os seus cassetetes fingindo que eram espadachins (ou então estavam a aquecer para as cenas seguintes). Continuando o percurso até ao metro do Campo Grande olhei à voltei e verifiquei que os senhores estavam por todo o lado: afastados uns dos outros, estrategicamente posicionados com as mãos atrás das costas, olhavam enquanto pressagiavam os delitos menores que se cometiam à sua volta.
Mas a acção começou quando ao chegar à entrada do estádio de Alvalade, já tendo demorado o triplo do tempo que demoraria habitualmente, vejo que todos os adeptos do Sporting correm para a escadaria principal, enquanto gritam coisas que eu não percebo e fazem gestos amplos com os braços. Ao mesmo tempo que eu chego à escadaria, prestes a alcançar o metro, eis que chega a claque dos outros tipos, uns de vermelho, que percebi depois que eram do Atlético de Madrid. O ruído foi ensurdecedor e as escadas ficam completamente bloqueadas. Ora, nem eu que tenho uma capacidade extraordinária de furar multidões consegui passar.
Depois de um dia inteiro de trabalho, fiquei presa no meio de rapazes histéricos e homens nojentos que insultavam outros, iguais ou piores, que ainda por cima falavam Espanhol. Enquanto tentava furar a multidão começou a chover e já numa zona menos povoada tentei abrir o chapéu de chuva. Vem a PSP e ordena (com maus modos) que feche o chapéu e diz-me que não posso estar ali. Fiz um sorriso de fúria (será que isso existe?!) e disse calmamente, enquanto respirava fundo, que só vinha do trabalho e queria chegar ao Metropolitano e a camisola verde era só uma coincidência. Lá consegui passar, encostada ao corrimão, enquanto uns cassetetes me passavam ao lado da cara e atingiam uns adolescentes que agarravam coisas do chão para serem arremessadas em seguida. O túnel que liga o metro ao estádio de Alvalade já estava a ser destruído pelas criaturinhas Espanholas que insultavam todas as pessoas que passavam, todos os portugueses que passavam (e uns ucranianos e brasileiros que deviam andar lá no meio), as suas mãezinhas incluídas.

Ora mas quem é que esta gente pensa que é? A partir de hoje, odeio oficialmente qualquer claque de futebol. Centenas e centenas de agentes da PSP para garantir que os senhores, coitadinhos, não se matam uns aos outros, saídas automáticas do metro abertas porque se acaso estivessem fechadas, as criaturas haviam de partir tudo ao pontapé, tal era a fúria e a bebedeira. E uma pessoa depois de um dia de trabalho, ainda tem de gramar com esta gente e pagar (indirectamente) este circo todo. Poupem-me. Para a próxima, alguém que me informe que há jogo, que é para ver se saio as três da tarde.

1 Comentários:

J. A. Pestana disse...

Eu acho que nunca gostei verdadeiramente de claques O_O e um episódio desses... puxa pacheco! Godspeed!